
Uma empresária de 30 anos de Porto Alegre relata que ouviu uma ameaça direcionada à filha, de 4 anos, por meio de um walkie-talkie de brinquedo. Segundo a mulher, o aparelho estava desligado quando começou a emitir chiados, bipes e, em seguida, a voz de um homem que se identificou como “lobo cinzento”. O episódio ocorreu na noite de quinta-feira da última semana e foi registrado em vídeo.
A mulher estava sentada na sala de casa com a menina quando percebeu os sons. Os dois rádios estavam sobre a mesa, um ao lado do outro, e, segundo ela, não havia um terceiro aparelho no ambiente.
Ao pegar um dos brinquedos, a empresária ouviu uma conversa entre um homem e uma criança. Em determinado momento, o adulto teria perguntado se a criança sabia com quem estava falando. Após ouvir a resposta “papai”, ele teria dito que era o “lobo cinzento”.
A mãe decidiu intervir na conversa e perguntou quem estava falando. Conforme seu relato, o homem respondeu: “O lobo cinzento que vai pegar o teu filho”.
A empresária contou que a filha já havia escutado vozes aleatórias no brinquedo em outras ocasiões, mas nunca uma comunicação tão clara. Ela também afirmou que o homem pareceu fazer referência a uma conversa que ocorria dentro da residência.
“Eu estava perguntando há pouco se a minha filha queria comer massinha, e ele perguntou alguma coisa de massinha. Parecia que ele estava escutando tudo que estava acontecendo aqui dentro”, relatou.
A principal preocupação da família é a possibilidade de a pessoa estar nas proximidades da residência. Segundo o manual do produto, o alcance máximo do walkie-talkie é de 500 metros.
“O que me deixou mais assustada, além da frase usada, é pela quilometragem, de ser muito pouca, de ser provavelmente alguém do prédio, ou do condomínio, ou da redondeza. É bem assustador. Fiquei bem apavorada. Ainda estou, na verdade”, afirmou.
Menina ficou com medo de ficar sozinha
Após o episódio, a criança começou a demonstrar medo de que o homem cumprisse a ameaça. Segundo a mãe, a menina passou a evitar até mesmo ir ao banheiro sozinha.
“A minha filha começou a chorar, a perguntar se o lobo ia pegar ela. A guria não vai nem ao banheiro sozinha mais agora porque está traumatizada”, relatou.
A família retirou o brinquedo da criança. Inicialmente, a empresária pensou em se desfazer do aparelho, mas decidiu preservá-lo para uma eventual análise policial. O walkie-talkie foi guardado sem as pilhas.
A mãe registrou um boletim de ocorrência pela internet ao meio-dia de sexta-feira (16). De acordo com o delegado André Mocciaro, a Polícia Civil vai investigar o caso.
O brinquedo é o Walkie Talkie Guerreiras do K-Pop, comercializado pela empresa Candide Brinquedos. A fabricante foi questionada sobre a possibilidade de o aparelho transmitir sons mesmo desligado e sem que o botão de comunicação esteja pressionado, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem original.
O Núcleo de Prevenção à Violência Extrema do Ministério Público do Rio Grande do Sul também apontou que o uso do codinome “lobo” pode ser uma referência a um predador. A investigação deverá apurar as circunstâncias do episódio e a origem da voz ouvida no aparelho.
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