
A jovem de 22 anos que teve o pai e o irmão assassinados a tiros na última sexta-feira (9), em Chuvisca, na Região Sul do Rio Grande do Sul, prestará depoimento na tarde desta terça-feira (13) na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Camaquã, na mesma região. O suspeito do crime é o ex-companheiro da jovem.
Kelly Klug Klumb não tinha medida protetiva de urgência. A advogada Mikaela Schuch, que a representa, informou que pediu medidas protetivas a partir de agora contra o ex-companheiro da vítima e contra familiares dele, sob suspeita do recebimento de novas ameaças. Mikaela afirma:
— Após o depoimento, a defesa vai reforçar o pedido de proteção à testemunha, porque ela e seus familiares tiveram que deixar a própria casa em razão das ameaças. É importante ressaltar também que o crime envolveu uma logística de deslocamento que aponta para a possível participação de outras pessoas.
O suspeito foi preso em flagrante após o assassinato do ex-sogro, Arnildo Schmegel Klumb, 56 anos, e do ex-cunhado, Davi Artur Klug Klumb, 17, mortos a tiros dentro da residência da família na localidade de São Brás, na zona rural do município. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva.
Segundo informações do inquérito policial repassadas à defesa, ele teria sido abordado pela Brigada Militar enquanto se dirigia ao local de trabalho da ex-companheira, que atua como empregada doméstica.
A Polícia Civil investiga o caso como possível vicaricídio, crime caracterizado pela morte de familiares ou pessoas próximas de uma mulher com o objetivo de provocar sofrimento, punição ou controle no contexto de violência doméstica.
A família da jovem, que trabalha com o cultivo de fumo, enfrenta dificuldades financeiras após o crime. Familiares organizam uma arrecadação para custear as despesas funerárias de pai e filho.
A mãe da jovem, aposentada por invalidez, também precisou deixar a residência da família devido às ameaças relatadas à defesa.
A reportagem tenta contato com a defesa do suspeito. O espaço segue aberto para manifestação.
O que é vicaricídio
O vicaricídio foi tipificado como crime em abril de 2026. A legislação prevê punição para quem mata familiar, dependente, enteado ou pessoa sob a guarda ou responsabilidade direta de uma mulher com a finalidade específica de provocar sofrimento, puni-la ou exercer controle sobre ela, no contexto de violência doméstica e familiar.
A pena prevista é de 20 a 40 anos de reclusão, e o delito integra o rol dos crimes hediondos.
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