RD Online
Mecânica e Auto Elétrica Pampa
Cotricampo
RD ANÚNCIO G
Santos Monitoramento
Mânica Contabilidade
Banner Site
Clean Lar
JP Celulares Redentora
UNOPAR VESTIBULAR
Vital Seg Serviços de Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional
Via Tec telecom
CS CLIMATIZAÇÃO EM TENENTE PORTELA
Lemarco
JL MÓVEIS E ESQUADRIAS REDENTORA
Cervejaria da Praça
Agroredenção
Physical Life Stúdio de Musculação
Laboratório Santo Antônio Análises Clínicas de Coronel Bicaco
C-TEC REDENTORA
Anúncio Rádio RD Online
Farmácia Santa Inês Rede Associadas
Casa Nova de Redentora
UNOPAR INFE

Após 20 anos longe de casa, gaúcho reencontra família com ajuda de caminhoneira

13/09/2021 18h15
Por: Depto de Jornalismo .
Fonte: Correio do Povo
Caminhoneira promoveu reencontro do andarilho com a família que não via há 20 anos | Foto: Arquivo Pessoal
Caminhoneira promoveu reencontro do andarilho com a família que não via há 20 anos | Foto: Arquivo Pessoal

A desesperança de uma família terminou quando o destino uniu dois gaúchos em uma cidade no interior de Goiás. A caminhoneira Cleusa Ximendes, de Pelotas, em viagem a serviço, encontrou o santamariense Ernani Amaral e, por acaso, ao oferecer água e bolachas ao andarilho, descobriu que ele estava longe de casa há 20 anos. Ela o colocou na boleia de volta ao Rio Grande do Sul e promoveu um emocionado reencontro com os familiares. Atuante nas redes sociais, Cleusa, 52 anos, mantém uma página com vídeos que contam o seu dia a dia nas estradas. Foi neste perfil que ela divulgou a primeira conversa com Amaral, em uma rodovia no município de Itumbiara. 

“Eu estava indo e ele vindo a pé, um sol de racha e não havia nada na volta. Ele disse que era de Santa Maria e falei que também era gaúcha”, relata a caminhoneira, que diz morar praticamente no seu veículo de trabalho. O caminhão carregado de açúcar para uma entrega tinha, como de costume, outra carga: mantimentos e roupas a quem a pelotense se deparar nas rodovias, com sinais de necessidade. “Ernani estava caminhando em direção a São Paulo para refazer os documentos e acabei conhecendo sua história”, lembra. 

Amaral deixou Santa Maria há duas décadas, sem dar explicações à família. Chegou a ser visto na rodoviária, o que deixou a impressão de que faria uma viagem temporária. Dias depois, ele entrou em contato por um telefone público dizendo que estava bem e que estava trabalhando em uma empresa de mudanças, em São Paulo. Após três contatos, nunca mais se manifestou.

Dez anos depois, quando a sua mãe faleceu, todos voltaram a procurar indícios de seu paradeiro. À época, já em 2011, o seu CPF e título de eleitor estavam inativos. Por isso, a família acreditou que ele estava morto. Até o encontro com Cleusa, 70 quilômetros já haviam sido percorrido por Amaral. “Já andei por tudo pelo Brasil. Tudo a pé”, diz o homem de poucas palavras que não explicita o porquê do sumiço.

Mobilização familiar 

Por conta das mobilizações dos caminhoneiros, o caminhão de 30 metros de Cleusa ficou trancado em posto de combustíveis no município de Ipê no caminho de volta. Ao invés dela levar Amaral à sua família, parentes foram em sua busca. Entre eles, a sobrinha Gleicimara Amaral, que não escondia a emoção do reencontro. “Reconhecemos o meu tio pelo vídeo na internet. O meu pai, irmão dele, não veio junto porque foi buscar o meu avô, Jardelino, de 87 anos, em Santa Maria. Era o maior sonho dele, reencontrar o filho. Pena que não deu tempo para minha avó revê-lo”, diz a analista comercial. 

Receoso por desconhecer a reação dos familiares, Amaral precisou ser convencido a retomar o contato dos que mais ama, o que inclui três filhos e uma neta que ainda não conhece. “Não queremos explicações”, garantiu Gleici, que conversou com o tio virtualmente antes do abraço real. A reunião de toda família ocorreu em Canoas, na região Metropolitana.

A sensação de quem fez uma boa escolha ao parar seu caminhão para aquele andarilho é nítido nas palavras de Cleusa. “É o terceiro que levo de volta para a sua casa, e não deve ser o último. Sempre gostei de ajudar o próximo, nasci assim”, revela a filha de enfermeiros e mãe de três filhos, todos adultos e com formação acadêmica. A cada novo itinerário, a caminhoneira retoma seus olhares aos invisíveis da estrada. “É a minha maneira de ajudar um pouco esse mundo tão cheio de injustiças e preconceitos”, completa. Ela conta com a compreensão da empresa para qual trabalha e apoio da Polícia Rodoviária Federal para suas ações.

Doações 

Além de reencontrar lares de andarilhos, Cleusa costuma fazer doações em postos de combustíveis e da PRF. Gleici resolver contribuir. “Vamos no encontrar novamente e vou entregar o que já arrecadamos”, confirmou. Interessados em doar, podem encontrá-la pelo telefone/WhatApp (51) 99124-5903. Depois de ‘devolver’ Amaral à sua casa, Cleusa segue sua rota. Como dizia aquela canção do Tim Maia, no caminho do bem.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.