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Gaúcha de Eldorado do Sul é selecionada para curso intensivo na Nasa

Com 17 anos, Isadora Stefanhak Costa Arantes acumula títulos em competições na área de exatas

27/06/2020 11h47
Por: Depto de Jornalismo
Fonte: Gaúcha ZH
Isadora Arantes, 17, foi aprovada para o Advanced Space Academy. Na foto, medalha adquirida na Olimpíada de Astronáutica Foto:Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
Isadora Arantes, 17, foi aprovada para o Advanced Space Academy. Na foto, medalha adquirida na Olimpíada de Astronáutica Foto:Arquivo pessoal/Arquivo pessoal

Com voz tranquila e fala pausada, com a certeza de quem sabe o caminho que pretende trilhar, a estudante Isadora Stefanhak Costa Arantes, 17 anos, conta o feito grandioso que conquistou: a aprovação em um curso promovido pela Nasa, nos EUA. O programa destinado a jovens de até 18 anos se chama Advanced Space Academy e é uma espécie de imersão no treinamento dado a astronautas.  

Durante sete dias, ela aprenderá noções mais profundas de engenharia aeroespacial, ou seja, será instruída a montar os robôs exploratórios que andam na Lua, satélites entre outros.  

— Minha expectativa está super alta, porque vou viver a rotina dos astronautas. Vou acordar super cedo para ter as aulas e almoçar com eles — conta a jovem que terá que arcar com os custos da capacitação.  

Moradora de Eldorado do Sul, na Região Metropolitana da Capital, Isadora estuda no Colégio Cenecista Santa Bárbara, em Arroio dos Ratos. A secundarista é uma curiosa por natureza. Esse interesse pelo mundo das ciências exatas pode ser explorado com maior afinco assim que ela botou os pés no Ensino Médio. 

Logo no 1° ano, pediu para a professora de ciências da natureza, Ester Dal Bem, inscrever o colégio nas Olimpíadas de Ciências, de Astronomia e de Foguetes. Voltando de uma destas competições, em 2018, ela foi incentivada pela mestra a procurar cursos e capacitações na área: 

— Ela sempre soube que tenho interesse em me tornar Astrofísica, Astrobióloga ou estudar Engenharia Espacial. No final do ano passado, achei essa seleção que a Nasa estava fazendo. O processo é rigoroso. Eles pediram três cartas em inglês, além disso, coloquei os projetos científicos que havia feito, os trabalhos voluntários que exerço e enviei dez cartas de recomendação. Chegou um momento em que eles não me deixavam mais anexar meus certificados na plataforma. Meu currículo chegou a 103 páginas.  

Entre os documentos anexados por Isadora estão: as duas medalhas de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, o primeiro lugar nas Olimpíadas de Ciências Exatas e as diversas participações na Jornada e na Mostra Brasileira de Foguetes, bem como nas competições nacionais de Matemática e Biologia.  

As aulas do curso, que acontecerão no Estado norte-americano do Alabama, tinham o início marcado para meados de julho. Contudo, em função da pandemia do coronavírus, os encontros foram postergados para 2021, mas sem data definida. Apesar da felicidade da conquista, a estudante se mostra um pouco insegura, porque não é possível projetar se, até lá, a entrada de brasileiros em solo estadunidense será permitida. Desde maio, esse trânsito está proibido por que o Brasil se tornou um dos epicentros da pandemia.  

Incentivo de todos os lados 

Otaciano Arantes Filho, 57 anos, é o principal nome envolvido nessa história que aproximou a vida de Isadora da astrofísica. Apesar de ser funcionário público, ele sempre conversou com a filha sobre o assunto e acabou se tornado um grande incentivador para ela se interessar pelo tema e carreira.  

Já aos 13 anos, ela acabou pedindo sugestão de livros que abordassem o assunto em um grupo de Facebook que abordava a temática. Ali ela conheceu o professor Alberto de Mesquita, mestre em Astronomia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conta a garota: 

— Ele entrou em contato comigo, via inbox, e passou a me oferecer tutoria online e gratuita, já que é muito raro gurias jovens se interessarem por astrofísica. Ele me ajuda muito com listas de exercícios, principalmente de Matemática e com dicas de como montar foguetes.  

Os amigos da escola também são importantes. Juntos, oito colegas criaram um grupo de foguetes, outro espaço onde a secundarista da vazão ao interesse pelos astros, sob a supervisão da professora Ester. 

Não escondendo o orgulho que sente da filha, a funcionária pública Giselda Stefanhak destaca a determinação de Isadora: 

— Eu fico sem palavras, porque ela sempre foi muito determinada. A gente só apoia, somos os facilitadores para as decisões e caminhos que ela deseja tomar. Por isso, demos de presente para ela, há uns quatro anos, o telescópio. Ela nos pediu e falou que era importante para observar os fenômenos no céu. Somos os incentivadores dela e dá orgulho ver que ela abraça todas as oportunidades.

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