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UFSM é a 10ª universidade do mundo com maior participação de mulheres na pesquisa científica, diz levantamento

Segundo ranking do Centro de Estudos de Ciência e Tecnologia da Universidade de Leiden, na Holanda, a universidade conta com mais de 50% de produção científica produzida por mulheres.

17/01/2020 08h30
Por:
Fonte: G1 RS
UFSM é a 10ª universidade do mundo com maior produção científica produzida por mulheres — Foto: Gilciano Sala
UFSM é a 10ª universidade do mundo com maior produção científica produzida por mulheres — Foto: Gilciano Sala

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), na Região Central do estado, é a 10ª universidade do mundo com maior produção científica feita por mulheres.

Os dados são do Centro de Estudos de Ciência e Tecnologia da Universidade de Leiden, na Holanda, e foram divulgados esta semana. O ranking mundial classifica universidades segundo indicadores bibliométricos, que incluem dados como número de publicações, citações por publicação e impacto por publicação. O levantamento usou como base pesquisas publicadas de 2014 a 2017.

Dos 11.227 pesquisadores com gênero definido da UFSM, 5.671 são mulheres, o equivalente a 50,5%. Entre as universidades brasileiras a UFSM está na terceira posição, atrás da Universidade Estadual de Maringá e da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

No ranking geral, a universidade aparece com 47,8% de mulheres entre os pesquisadores. Os assuntos mais pesquisados por elas são biomedicina e ciências da saúde.

De acordo com o reitor da UFSM, Paulo Burmann, o número é atribuído às políticas de ações afirmativas que a universidade vem implementando, que inclui a igualdade de gênero.

“Estamos trabalhando nesse processo de equilibrar as questões de gênero, inclusive na própria gestão. Demostramos incentivos para as mulheres se empoderarem e ocuparem estes espaços”, aponta.

No corpo docente, a faculdade conta com cerca de 47% de mulheres e nos cargos de gestão alcança quase 50%, segundo o reitor.

“Além das políticas que a instituição vem promovendo, isso ocorre também pela qualidade das pesquisadoras e do trabalho que elas exercem em suas posições. Elas têm encontrado um ambiente próprio para trabalho”, destaca Burmann.

O reitor reconhece que ainda há um longo caminho para percorrer, principalmente nas questões raciais, pois o número de servidores e pesquisadores negros não é significativo.

“Temos tomado posições bastante contundentes em garantir espaços para questões raciais, mas ainda falta muito”, esclarece.

Burmann afirma que as políticas afirmativas raciais vêm modificando significativamente a cultura da universidade, tanto nos aspectos sociais como na qualidade das pesquisas.

Uma das mais de cinco mil mulheres pesquisadoras na UFSM é a doutora Paola de Azevedo Mello, que atua como professora e pesquisadora no departamento de química da universidade.

"O ambiente de pesquisa, como todos os demais na sociedade, sofre da ação machista em maior ou menor escala. A sociedade está mudando, a questão está sendo debatida, mas há muito a avançar para superar as principais barreiras. Espaços para contribuição igualitária, reconhecimento de carreiras sem discriminação de quaisquer tipos, ocupação de espaços de decisão por mulheres, são coisas que, infelizmente, aparecem como barreiras no dia-a-dia da atuação das pesquisadoras", explica.

Para a pesquisadora, os números estão crescendo por ações que estão sendo desenvolvidas ao longo do tempo, principalmente quando as mulheres se tornam mães. Paola cita como exemplo a licença-maternidade para bolsistas de pós-graduação e a extensão do período de bolsa de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para pesquisadoras em função da maternidade.

"Esse resultado [da UFSM] de fato chama a atenção para a atuação das pesquisadoras frente ao cenário mundial e nos serve de incentivo e impulso para buscar por ainda mais espaços que nos permitam fazer ainda mais ciência de qualidade e contribuir com a sociedade", explica a pesquisadora.

“É um valor inestimável estarmos nessa posição. Principalmente no cenário atual, no qual as questões de gênero são desprezadas em diversos setores da sociedade”, salienta o reitor Burmann.

 

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