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Advogado suspeito de repassar ordens de líderes presos para integrantes de facção é preso em operação no RS
15/10/2026 15h29
Por: Depto de Jornalismo . Fonte: GZH/Zero Hora
Operação que prendeu advogado cumpriu mandados também em Viamão. Foto: Ronaldo Bernardi / Grupo RBS

Um advogado é um dos alvos da Polícia Civil durante a Operação Olissipo, realizada nesta quinta-feira (15) contra uma facção criminosa suspeita de tráfico de drogas e de ameaças a moradores de um condomínio, em Viamão, na Região Metropolitana. Ele foi preso em Cachoeirinha, onde mora.

O advogado foi identificado como William Quadros da Silva, 36 anos. A defesa do advogado informou que ainda está se inteirando sobre as investigações para poder se manifestar sobre o caso.

Durante a operação do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) são cumpridos 24 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. Segundo a Polícia Civil, o grupo é investigado por tráfico de drogas, negociação de armas e munições e ameaças a moradores para manter o controle de um condomínio de moradias populares em Viamão.

Segundo o delegado Wesley Lopes, da 2ª Delegacia de Investigações do Narcotráfico, o advogado é investigado por intermediar a comunicação entre lideranças encarceradas e integrantes da facção em liberdade.

— Ele exercia uma função de intermediar comunicações de lideranças presas com investigados que estão soltos. Ele repassava comandos dessas lideranças para gerenciar o crime aqui fora, o que extrapolava o exercício regular de advocacia dele — diz.

Segundo o delegado, os contatos ocorriam pessoalmente e também por meio de aparelhos. A suspeita é de que o advogado transmitisse decisões sobre a gestão dos pontos de tráfico, a arrecadação de valores e a resolução de conflitos.

— Ele recebia ordens que eram repassadas aos grupos, como informações sobre conflitos e gerências, de quem arrecadava os valores dos pontos de tráfico, por exemplo — detalha Lopes.

Os mandados cumpridos durante a operação se concentram em Viamão, mas também há ações em Porto Alegre, São Leopoldo, Balneário Pinhal e Camboriú (SC), onde foi preso Robson Juliano Benedick, apontado pela polícia como o responsável por coordenar o tráfico de drogas em Viamão. A companheira dele também foi detida. Segundo a polícia, Benedick é uma das poucas lideranças do grupo que permaneciam em liberdade, exercendo controle sobre um núcleo da organização.

A investigação começou há cerca de dois anos, a partir da apuração sobre pontos de venda de drogas em Viamão.

— Identificamos que havia uma estrutura com divisão de tarefas e lideranças comandando essa estrutura, inclusive de dentro do sistema prisional. Conseguimos identificar 24 pessoas envolvidas nesse esquema — afirma o delegado.

Ameaças a moradores

A investigação também identificou uma disputa entre facções pelo domínio de um condomínio em Viamão. Segundo Lopes, em um episódio ocorrido em 2024, o grupo investigado assumiu o controle do local e passou a intimidar os moradores, anunciando uma "nova gestão".

— Aqueles moradores que não aceitavam as ordens, ou (os traficantes) verificavam que tinham vinculação com facções rivais, eram, sim, expulsos do condomínio — relata o delegado.

As informações mais recentes reunidas pela investigação indicam que a organização ainda exerce controle sobre o local, utilizado para o tráfico de drogas e o domínio territorial, conforme a polícia.

O diretor do Denarc, delegado Carlos Wendt, afirma que a disputa pelo espaço envolvia ameaças de morte:

— A Polícia Civil apurou que havia uma disputa de duas facções por um domínio territorial, mais especificamente um condomínio de moradias populares, onde essa facção, de forma violenta, disputava esse espaço, inclusive com ameaças de homicídios.

Segundo o Denarc, a operação busca atingir o comando e a gerência da organização, além de interromper o abastecimento e a distribuição de drogas.